quarta-feira, 20 de maio de 2020

Amadeu Baptista: a rebelião da água extrema


Meu rosto nasce desta condição horizontal
de quem tem a cobri-lo todo o seu cansaço (1)
                                                                            Ruy Belo

Corre implacável o curso da impaciência
sob a ofendida
serenidade do poema (2)
                                                              Amadeu Baptista

 

  Nome incontornável da actual poesia portuguesa, Amadeu Baptista celebra em Caudal de Relâmpagos 35 anos de energia artística irascível, torrencial, pulsional, mordaz, desassombrada e apaixonada, testemunhal e secreta, plenamente comprometida com o seu tempo.  Editado pela Edições Esgotadas, em 2017, Caudal de Relâmpagos colige poemas selecionados pelo autor, originários de livros seus ou publicações avulsas, dispostos cronologicamente, de 1982 a 2017, para 476 páginas de “sombras calcinadas”, vibração intensiva, “ventanias densas” e fulgor incomensurável gerado na atração entre cargas positivas e negativas, como as que consubstanciam os relâmpagos, e cuja radicalidade discursiva poder-se-á medir pelas cicatrizes, cinzas e precipícios que os poemas exibem: “és assim a maldição e a bênção, o encanto e o desencanto, /a luz que avança e não avança no meu quarto /e me enche o espírito de negrume, /incita a soltar as cinzas, montar acampamento, velar por ti.”


Logo em 1982, em As Passagens Secretas, depara-se o leitor com a imensidão das praias para a infinitude do verbo, o fazer poético como concha que é preciso descascar, a brandura que é preciso revolver, a memória que é preciso perseguir e, na ruptura  súbita do último verso do poema que aqui se transcreve , o presente que é preciso questionar. Confira-se:

"Escrevo algumas vezes pelas praias. // Recolho seixos, pequenas coisas, algas /que me fazem lembrar uma outra infância / que respirei algures num outro mar. // Palavras lisas, vocábulos minúsculos, bruma, /são búzios que manejo nos poemas, /descasco, abro / como súbita concha, / ou súbita mulher de seios brandos. // Duas ou três gaivotas, um navio lá longe, / o mar que enrola na areia / – canções que cantei quando menino –, // escrevo mansa, torrencial, apaziguadamente, / desperto pela brisa, / a espuma branca, / os lábios que há nas ondas. // Às vezes / pelas praias / reconheço // que pago muito pouco pela água. “. 


Evidenciava-se a rebelião do mar poético, o troado emitido pelo búzio, o voo pelos precipícios, anunciava-se a instabilidade, o relâmpago, o fogo a rasgar a água genesíaca, pleno nas suas energias contrárias, o caminho pelas trevas à procura do núcleo do turbilhão onde a desordem se organiza, adivinhava-se o torvelinho nos seus múltiplos rostos, marca iniludível da poética de Amadeu Baptista expresso assim, no poema Metamorfose e Massacre, do livro O Sossego da Luz, de 1989:

“[...] A sombra revela o significado oculto desse ritual /que o fogo / acumula no obscuro sinal de uma ruína sem nome. // Chamam-lhe escrita, outros preferem nomeá-la /como infinito / exercício de adivinhação, dizem-na outros arte, / enigma redentor a que se entregam os que crescem / para o abismo e perturbam as trevas. // Recompensa  ou castigo, eis o que obstina. [...]”. 


Escreveu Walt Whitman :“Ostensivo sol , não preciso do teu calor – afasta-te! /Tu iluminas só as superfícies , eu penetro as superfícies e as profundidades.”(3). Em Amadeu Baptista, “o destino aniquila” e propaga-se no poema “como um grito”,  procura o sobressalto de um nome, da palavra indecifrável, obsessiva, que é “rumor”, “tumulto”, “rebelião”, “animal rastejante” metamorfoseado em ave, em “pássaros negros”; a palavra espera colher “a luz do apaziguamento”, mas “nenhum resgate”, “nenhuma árvore” no deserto, somente “sílabas frágeis” resistem “no campo solitário, guerreiro, cego aguardando o sinal / para abater ou ser abatido, em nome da maldição e do esquecimento”. O método desta busca poética é claro: há que encher os pulmões e aspirar a dor “para que a sarça amplie sobre a noite” a luz dos elementos que se respiram: “o ar, o fogo, a terra, a água, a água exausta”. Sim, é de “água exausta” que aqui se fala, mas não água derrotada, tampouco resignada, antes água amotinada, inconformista e revoltada que busca uma língua nova para reivindicar o seu  lugar no mundo, ainda no sentido do que nos diz Walt Whitman: “Sou o poeta do Corpo e sou o poeta da Alma, / As aventuras do Céu estão em mim e as penas do Inferno estão em mim, / As primeiras enxerto e reforço em mim mesmo, as últimas traduzo para uma nova língua.”(4). Atente-se a todas estas pegadas, por exemplo, no poema Kefiah, de 1988:


“[...] Procuras um nome, procuras a solidão de um rosto, uma árvore, procuras o arquipélago alucinado / de uma palavra inscrita no lume das tuas mãos; / procuras a tenacidade do sangue, o amor fortalecido / pela proximidade do perigo, o preço da verdade / que germina no vaso sagrado dos que viajam /com a bagagem restrita dos que procuram, mas a quem ninguém responde. // O solitário não renuncia à solidão quando procura, o solitário / conhece a respiração do chacal no refúgio da noite, acende contra os lobos / o fogo da salvação, pela solidariedade do silêncio; /o solitário é o que contempla a renúncia de uma palavra na limpidez /da página e ama a solidão com a imparcialidade / de quem acusa os que se imobilizam na cisão dos enigmas – / a dor comprometeu definitivamente a vida, não há salvação possível, o resplendor estaca / no bloco calcinado dessa água que arde; a rede /de dúvidas que poderia estancar o caudal de protestos que nos corre nas veias , a grade de frio que ocupa os pensamentos, o ardor / visível nos nossos olhos, não responde às nossas perguntas antiquíssimas, a herança de choro / que nos foi legada pelo desejo e pela ansiedade: / o conflito está aberto, ó desalento, o abandono é a ave de incredulidade que nos esmaga os crânios, o açor /que nos eleva do abismo e nos larga do cume da montanha para que voltemos ao pó, ao pânico da queda, à força de impacto no solo, / como se transportássemos nos ombros todo o peso do mundo, a realidade, / aterradora que inebria e ilude. [...]”.


Na segunda estrofe do poema Uma imagem divina, de Gastão Cruz, lê-se que “a roupa do homem é em ferro forjada, /a forma do homem é uma forja acesa, / a face do homem um forno selado, / o coração a fornalha a arder”(5), numa alusão à jornada penosa do fazer poético, que Amadeu Baptista cumpre com frémito inigualável – não raras vezes, a palavra parece libertar-se do seu arquitecto para se assumir como um ser autónomo, de respiração livre e imprevisível, o que lhe confere um sentido de estranheza na mesma medida de magia.  No poema “Carta de Atenas”, do livro Arte do Regresso, de 1997, lê-se: “O eco subverte o clarão no horizonte / quando a pira está pronta para o sacrifício. A inquietação é agora a minha alma.”. Acrescente-se: “Pelo meu nome a cinza é um ser vivente” e invoque-se a propósito a conhecida formulação Novalis de que “toda a cinza  é pólen”, porquanto as cinzas desta poética espargem-se sobre todas as coisas onde o olhar se detém, e delas renascem as coisas transformadas. 


Na fornalha, o coração  “Sonda o terrível. No reverso de um verso /encontra o Fluxo e refluxo da fogueira”; na forja,  “com as mãos carregadas de veneno” e “rancor aberto”, soldam-se os ferros como se fossem ossos ou dito assim no poema que se solta a partir de Francis Bacon: Study For  Crouching Nude, do livro Doze Cantos do Mundo, de 2009: “No osso inciso, / na grande obra incompleta, / sou uma válvula de vácuo /e um transístor, / a desfragmentação / e o cromatismo / que resiste à vileza / e vê no crime / o imparável modo de estar vivo, / a aprofundar a refrega dos subúrbios, /como arte, /dissipação, /incandescência. // E os ferros progridem /sobre a minha cabeça, / e não creio //  – quem sou já pouco importa /porque os cães estão em todo o lado, / e devoram as casas, / e sobem aos telhados para devorar / os livros, / e, nas jaulas, /amontoam cadáveres, / instantes peregrinos / com cabeça de rádio / e desorbitados olhos / pelo terror do urânio, / as múltiplas engrenagens.[ ...]”.


 Tratando-se de uma poesia de “múltiplas engrenagens”, e cuja rebelião não deixa nada intacto, não hesita no  diálogo com outras artes, como o encetado com a pintura e a música: Van Gogh, Gauguin , Piero Della Francesca, Caravagio, Mark Rothko, entre outros,  outrossim Handel, Brahms, Camille Saint-Seans, Beethoven, Mendelssohn, Mozart, Strauss, Massenet, Verdi, Schumann, Franz Von Suppe, Bach, Tchaikovsky, Billie Holiday ou Leonard Cohen são chamados para a bigorna verbal, num impulso de écfrase que se insere na procura da representação do irrepresentável; em ambas as linguagens, o poeta vai ao centro negro, gritante, do remoinho, escava-o com a sua solidão e “olhos amargos” para, na página, dar a ver ao seu leitor como ele viu, ouviu e sentiu. A transfiguração do objecto visual ou auditivo surge assim No poema Caravaggio, Um Esboço, de Desenho de Luzes, 1997:

“[...] Neste lado do mundo pouco espero /ou só aguardo um tempo em que o génio /possa subtrair outra palavra para poder ampliar /a noite com uma outra emboscada, um outro golpe / sobre o que advém da eternidade e se consuma enfim / na prega de um vestido, uma janela aberta, o intenso vigor / de um homem que passa carregado de pão e de tristeza. [...]” ou no poema “Mozart: Intróito, do Requiem”, de O Bosque Cintilante, 2007: “É uma das consequências de ser forasteiro / e deixarmos para trás quem não nos pode perdoar. / Fechamo-nos em casa e acendemos o fogão / sem que mais nada passe de uma emoção, uma dor  / ilegítima. Adeus, então. Confinamos todas as coisas / ao enfraquecimento do abandono, à janela / que desce à desolação de um caixilho / onde nenhuma paisagem se fixa, nenhuma luz. / E aí permanecemos, sozinhos, com a morte / subir-nos pelo braço direito e a paralisar-nos / o dedo indicador. [...]”. 


O real como testemunho e compromisso 


O programa poético de Amadeu Baptista encontra no real uma outra forma de presença. Poesia onde não há absolvição, o verbo deambula pelos lugares  e encontra motivos que soltem o poema em todo o lado, cria “as condições para que o abismo funcione”, dito assim em Sal Negro, de 2003: “escrevo o que me ditas, /a errância, / a visão, /e o livro vai-se enchendo // de frases inauditas, / por isso me sorris / sabendo que o mistério / é uma transgressão // que não sabemos como / às vezes aqui vem / estremecer-nos, // escrevo / o que vacila / e sem hesitação // há-de matar-nos.”. No real, que o poeta apreende, desfoca, e recria com  estranhamento discursivo, prefigura-se a revolta, o que vai ao encontro da asserção de Novalis:  “O mundo é o resultado de um acordo infinito e a nossa própria pluralidade interior é o fundamento da nossa concepção do mundo” (6). Trata-se, pois, de estar no mundo e actuar sobre ele na busca essencial do ser pleno, enquanto indivíduo e na relação com o outro; o conceito de testemunho incorpora a problemática de que o eu faz parte do centro de outras vidas de cujas circunstâncias partilha e é nesta reciprocidade  que o eu se legitima. Enquanto expressão de sondagem interior que se abre pela metamorfose do eu em outros, o eu está junto dos pobres da sua cidade, com simpatia pelos humilhados e ofendidos de quem se sente irmão, anota-lhes a desgraça e a miséria, está junto dos exilados, dos marginalizados, dos incompreendidos, dos desterrados que foram em busca de pão, dos oprimidos que são capacho de poderes políticos, está no centro do torvelinho, na Síria, em testemunho e compromisso de falar aos e pelos que fogem da ignomínia das balas, despersonalizando-se, sendo eles e as vozes deles sendo a sua. Vejam-se exemplos do poema longo, enformado em 42 andamentos , O Arco Sírio, 2016:


“[...] A ruína rodeia-nos, sitia-nos. / Não há o que beber, a tiracolo / levamos um cantil cheio de sede / que não há como encher, / nestes caminhos de terra e de poeira. /Aos milhares, partimos de Damasco, / num êxodo infinito e sem escolha. / No céu não há estrelas, nenhum brilho. / Sob os pés há só escorpiões, o pesadelo / de uma lenta agonia a apavorar-nos. // [...] Há um poeta que nos acompanha. / Veio dizer-nos que só conhecemos a tristeza /e que nos acossa o apocalipse, / esta  desolação do mar em que morremos. / As balas são só o silêncio ao largo /da Turquia, um vendaval de justos /que morrem afogados, com os olhos / abertos e as mãos fechadas /sobre a terrífica dimensão do sacrifício. // [...] Diz o poeta, ´Chegou a hora de praguejar em vez /de permanecer em silêncio. Chegou a hora /de perguntar para que serve cantar, / o que é esse júbilo para os que o martírio encontra. /Chegou a hora de invectivar as palavras, /de questionar as sílabas amadas, de inquirir o lodo /em que os nossos mortos se afundam.[...]”. 


Se a incorporação da realidade mostra a experiência do mundo, o discurso de revolta edifica-se em vertigem avassaladora que faz o poema exprimir-se em extremos. Notem-se as 14 partes do poema Negrume, e as 8 partes do poema de As Recriminações, de 2006, onde encontramos reminiscências do canto febril, exaltado,  eufórico e delirante  de Álvaro de Campos, o indisciplinado da sensação, heterónimo de Fernando Pessoa, no qual se detecta uma força centrífuga, que leva o sujeito poético a desejar materializar-se nas máquinas, e uma força centrípeta,  que leva as máquinas a serem humanizadas; também em Amadeu Baptista, o delírio é lúcido, a atitude transbordante evidencia a manifestação de uma crise civilizacional, o excesso violento das sensações são gritos de denúncia,  a vibração intensiva dos poemas faz desta máquina poética  a propulsora de conteúdos novos e sempre livres. Confira-se, da parte 6 de Negrume:

 “[...] vem alguém e entorna leite no chão da cozinha, /um homem vocifera e ergue-se com uma corda ao pescoço / e uma faca na mão, volto a repetir: caralho, caralho, caralho, / passa um carro na rua a buzinar estridentemente e acordo, num sobressalto terrível. // depois, tudo é silencio avassalador. há passos surdos no corredor / contíguo ao meu quarto, oiço um alfinete cair, a mãe gemer. /a cama range, o pai volta-se nos lençóis, para outro lado, / outra direcção atroz. // a casa está submersa num silêncio sólido, irreparável. / estou muito só e tenho frio, embora esteja um calor abrasador. /ouve-se um cântico ao longe. o som de asas a roçar nas paredes. /digo: caralho, caralho, caralho, num sussurro infinito, até perder o fôlego.”. 


Se a busca de um olhar capaz de transfigurar a realidade dá espessura ao poema, ao mesmo tempo procura-se a cumplicidade com o leitor que poderá identificar as questões como suas. Para tal concorre a formulação mais narrativa, o verso em contaminação com a prosa. E o poema escorre no desejo de um mundo habitável com dignidade, mas só encontra o presente errado e um futuro ausente:

 “[...]Vamos pela cidade e todos estão mortos, / morreram uns por inanidade, / outros por decepção, / outros por fantasia, / outros porque preferiram suicidar-se a suportar isto / - só a menina nua da avenida dos Aliados / sorri com os braços apoiados num plinto / de cujas faces quatro mascarões lançam água para um tanque, / vejo-a há cinquenta e sete anos como se visse um sonho, / estarei morto e será ela, ainda, o meu fascínio [...], lê-se em O Ano da Morte de José Saramago, 2010.


“Ah ninguém sabe / como ainda és possível poesia / neste país onde nunca ninguém viu / aquele grande dia diferente”, escreveu Ruy Belo no poema “Desencanto dos Dias” (7) ;  este é um país “de luto fundo, intenso, cerrado / como o de todos os órfãos  e de todas as viúvas, / como o de todos os poetas e de todos os poemas”, diz-nos Amadeu Baptista, num dizer fremente, que é também o grito de uma geração como o que se encontra no poema titulado, precisamente, “Última Geração”, de 1987: 

“[...] Dai-nos o vómito, Senhor, o vómito / carregado de fel da nossa vida violenta, do nosso amor violento, / da nossa esperança violenta e violentada /pelo preço de um pão e o suor agónico da nossa face. // Recorremos a Ti, Senhor, neste páramo de ódios, / para que nos dês o alívio do vómito letal do nosso desespero / esta amargura carregada de amargura / que nos lançaram sobre os ombros e tem o peso do mundo. [...] // Dai-nos o nojo, Senhor, essa flor infecta, sanguinolenta e suja/ que há-de desabrochar das nossas dores // em tua glória // e em nome do asco a que fomos submetidos.”.


A vivência criadora da realidade resgata e integra a adolescência “anfíbia” do poeta. Tudo volteia, ilumina-se o despenhadeiro dos possíveis sonhos interrompidos e a busca transforma-se em jogo: “Procuro um texto impossível, / um outro caminho para a salvação.” diz-nos o poeta em  Arte do Regresso, 1997. Há que descobrir a unidade da infância, a madre intelectual da gestação, desvendar a raiz, a que despontou para encarnar uma aspiração: “Aprendo a ler e a escrever, /quer dizer, /aprendo a sentir com mais força /a desobediência.”, lê-se; há que ir ao tempo original  para lhe restituir a sua verdadeira identidade mesmo que a viagem seja por uma torrente de angústia que soltará uma enérgica gargalhada: lê-se em Açougue, 2012:  

“Logo no primeiro ano /estou  só / e não me consigo manter de pé. // Se suspeitasse sequer / que iria ser assim para toda a vida / não me riria // com estas gargalhadas / cristalinas. “. 


“Vejo-me um homem calado, vejo assim os poetas, / vemo-nos como homens calados que não podem estar calados, / ou que estão cegos e não podem estar cegos, / ou que não podem deixar de deambular na cidade, / porque há uma pedra a levantar do chão, / um povo a levantar, / uma infância a levantar”, escreveu Amadeu Baptista, em O Ano da Morte de José Saramago, 2010, enunciando alguns dos fios robustos com que se tece a sua obra e assumindo um compromisso com o seu leitor.  E ficamos, nós, os seus leitores,  a pensar que das  “cinco pedrinhas” com que Ruy Belo fazia o poema – “desalento”, “prostração”, “desolação”, “desânimo” e “desistência” – apenas a última não é admitida ao autor de Caudal de Relâmpagos ou, se porventura o nome desistência passar a habitar o poema, que o seja com o estrondo cósmico e a luz indomável a que ele já nos habituou.



© Teresa Sá Cout


Notas:

(1) Ruy Belo, Todos os Poemas, V.I, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004, p.165

(2) Amadeu Baptista, Caudal de Relâmpagos, Edições Esgotadas, 2017, p. 31

(3) Walt Whitman, Canto de Mim Mesmo, tradução de José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim, Lisboa, 2011, p. 111

(4) Walt Whitman, ob. cit., p.91

(5) Gastão Cruz, Poemas Reunidos, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1999, p.238

(6) Fragmentos de Novalis, selecção, tradução e desenhos de Rui Chafes, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000, p.133

(7) Ruy Belo, ob. cit., p.272

 

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