sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Poesia Cubana Contemporânea

(Texto editado hoje no site Orgia Literária)

Dois poetas laboram sobre outros dez, num encontro apadrinhado por uma editora que há muito nos mostra a dedicação que põe nos livros que faz. Refiro-me à Antologia bilingue Poesia Cubana Contemporânea – Dez Poetas com a chancela da Antígona. Pedro Marqués de Armas selecciona, apresenta e critica as vozes, faz o extraordinário Prefácio e as Notas do documento. Jorge Milícias assina a exímia tradução.

Em 237 páginas compendiam-se desenraizamento, dor, desdém, denúncia e raiva de dez ânsias de liberdade: José Kozer (1940), Reinaldo Arenas (1943- 1990), Reina Maria Rodríguez (1952), Ángel Escobar Varela (1957-1997), Rolando Sánchez Mejías (1959), Ismael González Castañer (1961), António José Ponte (1964), Omar Pérez (1964), Damaris Calderón (1966) e Alessandra Molina (1968).

No prefácio, Pedro Marqués de Armas dá-nos, de forma precisa e sintética, a contextualização histórica da produção literária cubana, define-lhe as características desde o início – por volta de 1825, tendo em José Martí, o poeta soldado, «ao mesmo tempo o último romântico e o primeiro modernista da América Latina» –, para desembocar nos anos 80, com recolha de textos de autores que começam a escrever nesta altura ou nela se consolidam, época a partir da qual, defende Armas, a poesia começa a libertar-se do «lastro da ideologia».

A selecção dos textos da mostra poética entronca no percurso de uma poesia em constante tensão com a História, refere Armas, com esta a ter de ser redimida pela primeira: a identidade, a insularidade, a procura de vanguardas, a institucionalização da literatura devido à «imposição do realismo socialista como único modelo estético» que servia a Revolução castrista, a fragmentação, os exílios constituem uma herança fortíssima que os poetas cubanos da geração de 80 carregam e transpõem para a palavra com grito subversivo. Com esta necessária Antologia, ficamos a perceber «em que travessias, em que estranhas / paragens / em que trocas», palavras de Omar Pérez, as letras cubanas contraíram o engenho, e como essas travessias se encontram e se enredam no século XX com a nova palavra.

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© Teresa Sá Couto

2 comentários:

contador antropomórfico disse...

No outro dia «fiquei de olho» na Colectânea da poesia grega [tenho um fraquinho pela Antiguidade Clássica].
Esta Antologia bilingue, com poetas a traduzir poetas, faz-me pensar se não estará na altura de melhorar a minha «educação poética» ...:-)
Belas resenhas, como sempre. Obrigado.

Teresa disse...

São os dois magníficos livros.
Esta Antologia da poesia cubana contemporânea é uma boa mostra de uma poesia a que temos pouco acesso (apesar de ter poucos textos de cada autor... digo assim pois fiquei com sede de mais). Além do Prefácio superior de P.M.Armas.


Estão lá autores que vou fazer questão de procurar. Quando for a Madrid levarei a lista :-)