domingo, 21 de junho de 2009

Novidades Editoriais

História, literatura e actualidade: são estes os campos dos novíssimos lançamentos da Campo das Letras. Deixo, para já, estas breves notas.
Assinado pelo historiador António do Carmo Reis, chega-nos a «Nova História Universal». Trata-se de um compêndio de Nova História, porquanto é a «leitura do nosso tempo» sobre toda a História, sobre a «Vida da Humanidade no tempo e no espaço», desde 9000 – começo do Neolítico – até ao séc. XXI, ano de 2007. «A História é a escola do cidadão», disse Georges Duby; segundo o historiador, na introdução, este novíssimo título procura «o fio condutor da História – de toda a História que, sendo a de todas as Civilizações (cada qual com seu andamento e sua trajectória), é o drama de uma só Humanidade. Nesse esforço de síntese, procuramos saber quem somos – para assumir a nossa Cultura de cidadãos do Mundo».

Na capa de Margarida Baldaia, a ilustração «A primeira Viagem» de Cristóvão Colombo aludindo ao início da globalização, marca indelével da nossa Idade Contemporânea e reconhecimento de que a «História Continua». Para já, este documento de síntese da História, com escrita rigorosa, lesta e depurada, afigura-se imprescindível em qualquer lar e em qualquer escola.


No campo da literatura, contamos com «O Personagem na obra de José Marmelo e Silva». Um título saudado pelo seu carácter imprescindível, já que José Marmelo e Silva (1911-1991), incompreendido no seu tempo que, consequentemente, lhe ostracizou as letras, foi autor de uma obra fortíssima e inquietante, que está criticamente por explorar. Ver texto meu sobre uma obra do autor, AQUI.

São seis ensaios organizados por Arnaldo Saraiva que, segundo refere na nota introdutória, «permitem caracterizar bem a galeria de personagens das narrativas breves de Marmelo e Silva: personagens preferentemente jovens e preferentemente masculinos, geralmente em relação difícil ou traumatizante com personagens femininos”típicos” (a ingénua, a dissimulada, a puta); frustrantemente fixados em espaços limitados e limitantes, de que alguns fogem ou tentam fugir, como o da família, o do campo, o do internato ou o da caserna (e da Beira, da Madeira, de Coimbra, de Lisboa, de Aveiro, do Porto…); confrontados com valores, hipocrisias e preconceitos patriarcais, autoritários, religiosos ou sexuais, contra os quais podem inglória ou dramaticamente rebelar-se.».

A assinar os ensaios estão Maria de Fátima Marinho, na obra «Sedução»; Paula Morão, em «O Sonho e a Aventura»; João Camilo, em «Adolescente Agrilhoado»; Celina Siva, em «Anquilose»; Tânia Moreira, em «O Ser e o Ter»; Cristina Costa Vieira, em «Desnudez Uivante».


Na inquietação da actualidade, marca de um «planeta que não gira bem», temos o Ensaio «Planeta Sexo – Turismos sexuais, mercantilização e desumanização dos corpos», dito assim pelo autor, Frank Michel, antropólogo e professor universitário, com tradução de Vítor Dias:
«Metamorfose do capitalismo selvagem, o turismo sexual prospera sobre as ruínas das desilusões do “desenvolvimento” e do “progresso” e assemelha-se frequentemente a uma invasão do Sul pelo Norte. Ele permite aos ocidentais que, aqui ou ali, perderam a batalha da colonização, restabelecerem posições firmes nas suas antigas (e novas) possessões, com uma conquista em vista: a dos corpos.»

São duas grandes partes espraiadas por 214 páginas para, sem contemplações, se abordar o “mercado mundial” do turismo e sexo, para reflexões sobre «a crise de identidade sexual no Ocidente», a comercialização da mulher, o tráfico sexual no mundo – com «as crianças na tormenta» da dominação –, a «herança colonial nas mentes e nos corpos», «Africas», Marrocos, Cuba, «as raparigas de leste», o Sudueste Asiático e, na conclusão, o desassossego de uma pergunta: «A caminho de um turismo sexual de massas?».


© Teresa Sá Couto

2 comentários:

Rui Herbon disse...

Um merecido prémio para este blogue literário:
http://aescadadepenrose.blogspot.com/2009/06/um-biscoito-para-mim-um-biscoito-para.html

Teresa disse...

Então atribuis-me um prémio com motivo de biscoito e a tarefa de encontrar sete galhardos para "biscoitar"...
Deixa-me pensar...rsss...Por agoa, Obrigada!! :)))

Beijinhos, Rui
Teresa