segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Entrevista a Albano Martins

Entrevista em 4 partes, difundida pela Página Literária do Porto. Ver, também, textos meus sobre Albano Martins, Aqui








domingo, 11 de outubro de 2009

A Lusofonia no desafio da globalização

Língua materna em Portugal e no Brasil, língua oficial em Angola, Cabo verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique – os PALOP – e Timor-Leste, língua de uso em Macau, Goa, Damão, Diu e Malaca, a Língua Portuguesa é ainda falada nos quatro cantos do mundo onde chega a diáspora lusa. Ainda, e acatando o que defende Eduardo Lourenço, a lusofonia deve incluir a Galiza: «como imaginar o espaço lusófono, e na medida em que ele é o horizonte onde inscrevemos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, sem incluir nele a Galiza?»

«Quem tem José Saramago e Jorge Amado, quem tem Mia Couto e Pepetela, quem tem Milton Nascimento e Gilberto Gil, quem tem Cesária Évora e Madredeus, quem tem Walter Salles e Manoel de Oliveira já conquistou certamente um sólido espaço específico no mercado cultural globalizado», diz Eduardo Namburete sobre a força e o papel da lusofonia no Mundo, no livro «Comunicação e lusofonia», que colige as comunicações da I Conferência Internacional sobre Comunicação e Lusofonia, na Universidade do Minho, a 7 de Outubro de 2006. A conferência reuniu investigadores de Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, Timor-Leste e dos Estados Unidos da América. Os trabalhos desenrolaram-se em 3 painéis plenários: Lusofonia: Equívocos, Fronteiras e possibilidades; Políticas da Língua e Identidade; Os Media e a Memória Social.

«A cultura e o progresso são filhos da mistura»

«Aquilo que motiva a lusofonia como coisa sua é a sua globalização multiculturalista, dentro de áreas culturais específicas, uma globalização paradoxalmente regionalista, que se alimenta de um imaginário de territórios, memórias e paisagens vivos e concretos», refere Moisés de Lemos Martins, Presidente da Conferência Internacional Comunicação e Lusofonia, para salientar que «a cultura e o progresso são filhos da mistura».

Na mesma linha de argumentação, António Guimarães Rodrigues, Reitor da Universidade do Minho, cita Confúcio: «“Se trocar uma laranja com outra pessoa que também possui uma laranja, cada uma fica com uma laranja. Mas, se trocar uma ideia com alguém que também tem uma ideia, então cada um fica com duas ideias”. Trocar opiniões, ideias e interpretações é mais do que trocar informação. E as ideias são diversas. Não se somam de forma conservativa. Constroem e criam novas ideias. A globalização que todos ajudámos e ajudamos a construir não significa o imperativo de nos despojarmos do que nos dá identidade. Antes pelo contrário, no conjunto dos valores e das promessas que nos atraem para a construção de um Mundo global, a diversidade das diferentes identidades funciona como elemento de ligação e garante a sua sustentabilidade.». Assim, sintetiza, «num tempo de globalização, em que o mote é a constituição de redes de conhecimento e cultura, os países lusófonos possuem-na, dela têm consciência, e querem promovê-la e atribuir-lhe um papel efectivo ao serviço do desenvolvimento».

Maria Manuel Baptista, docente na Universidade de Aveiro, lembra que o espaço da lusofonia é um «apetecível mercado de milhões de consumidores», além de que «o Brasil e os outros países lusófonos têm-nos como necessária porta de entrada noutros mercados e culturas ocidentais.». Assim, defende, cabe a Portugal defender o seu património secular, histórico, linguístico e cultural no mundo (…) pretende-se conferir à lusofonia (tal como outrora ao Império) uma lógica predominantemente afectiva e moral: cada parte não pode dar largas ao seu “egoísmo” e deve concorrer para o todo, para o bem comum.».

Se não podemos fugir à globalização, podemos defender-nos da invasão da língua da globalização, antecipando-nos aos seus efeitos, como defende Eduardo Namburete, docente universitário em Moçambique: «levar a cultura lusófona para o Reino Unido, Estados Unidos da América, Nigéria, Burundi, Singapura e outros cantos do mundo, a aposta na difusão internacional da cultura lusófona, através da massificação da produção cultural no nosso espaço de referência, ensino e formação do português deve ser uma estratégia prioritária da lusofonia.».

A língua que permite a união

A adopção do português em Timor-Leste como língua oficial a par do tétum reflecte, segundo Xanana Gusmão, a afirmação da identidade pela diferença, identidade que é «vital para consolidar a soberania nacional». Com efeito, referem Regina de Brito e Neusa Bastos, docentes universitárias em São Paulo, «o português possibilita, dentre outras coisas, o resgate e a manutenção do carácter híbrido da cultura timorense e o acesso ao conhecimento já disponível nos países lusófonos – que já contam, especialmente em Portugal, e já agora no Brasil, com diversos estudos sobre a Cultura e História timorense. Por fim, acentuam os timorenses, é preciso valorizar a força do português, sexta língua mais falada no globo, como forma de união entre os oito países da CPLP e um mecanismo de inserção dos timorenses no mundo globalizado». As autoras referem também o caso «multiétnico, multicultural e multilinguístico» de Moçambique rodeado de países de língua inglesa e associado à anglófona Commonwealth, onde a língua portuguesa é a «única utilizada na alfabetização de adultos, no ensino e na formação» e, no meio da diferença, é esta que vai encontrando «denominadores comuns em todos».

Comunicação e lusofonia – Para uma abordagem crítica da cultura e dos media; Editorial Campo das Letras, Porto, Dezembro 2006


© Teresa Sá Couto

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sérgio Luís de Carvalho lança novo romance

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O Destino do Capitão Blanc é o título do novo romance histórico de Sérgio Luís de Carvalho, com a chancela da Planeta. O lançamento está marcado para a tarde do próximo sábado, dia 10, na Fnac do Chiado, com apresentação de Miguel Real.

Sempre na peugada da Memória, Sérgio Luís de Carvalho traz-nos «os destinos» de um capitão do exército português, nos três últimos meses da Primeira Guerra Mundial, de 7 de Agosto a 27 de Novembro de 1918. Luís Guilherme d’Orey Sarmento Blanc, «solteiro, 29 anos, filho do cidadão belga Guillaume Blanc e da senhora portuguesa D. Maria Amélia d’Orey Sarmento», «instrutor na Escola de Guerra e colunista do jornal “A Situação”… (periódico afecto ao governo sidonista e ao Partido Nacional Republicano)», lê-se no Prólogo, é a personagem que incentiva a escrita no jogo da realidade e ficção que ilumina um passado de sombras da Primeira República e da Primeira Grande Guerra.

À semelhança de anteriores títulos do escritor, trarei brevemente a minha leitura crítica desta novíssima obra. Ver textos sobre O Retábulo de Genebra e Os Peregrinos Sem Fé.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os males humanos e a verdade de Brecht

Aqui jaz B.B., limpo, objectivo, mau. Esta era a missiva tumular que Bertolt Brecht confessou gostar de ter na sua sepultura. Mas é também a marca da reflexão dialéctica entre o Bem e o Mal do ser humano, indagado com «verdade concreta» impulsionada por um ideal: desalojar a maldade apesar do apelo – ou devido exactamente a ele – de que só sendo-se mau se domina o mundo; e lutar nessa missão, estreme e intrépido, apesar das desilusões, mesmo que o Epitáfio venha a ser este:Escapei aos tigres /Nutri os percevejos /Fui devorado /Pela mediocridade.

Como sempre com autores estrangeiros, há que ter atenção às traduções. Sugiro as Peças de Teatro, que têm vindo a ser coligidas em vários volumes pelas Edições Cotovia; na poesia, destaco a pequena Antologia Poemas, com tradução, selecção, estudos e notas de Arnaldo Saraiva, com a chancela da Campo das Letras e, para uma leitura mais integral da obra do alemão, a grande Antologia Poemas, da Asa, com versão portuguesa de Paulo Quintela, organização e prefácio de António Sousa Ribeiro.

Várias obras de Brecht têm subido aos palcos portugueses. Destaque-se Um homem é um homem, escrito pelo dramaturgo alemão em1953, encenado pelo magistral Luís Miguel Cintra para o Teatro da Cornucópia, espectáculo que foi galardoado com o Prémio da Crítica 2005.

Arauto das injustiças sociais, Brecht fez da palavra a arma contra a indiferença, promoveu a interrogação e a reflexão sobre a identidade individual, a alienação, a violência da guerra, a desumanização. Presenciou as duas Grandes Guerras, a Revolução na Alemanha com o massacre dos seus líderes e milhares de operários, a fome dos anos 20, a ascensão do nazismo e, com ele, Hitler. Anteviu perseguições políticas, soube-se alvo delas e escreveu-o:

As ruas do meu tempo conduziam ao pântano. A linguagem denunciou-me ao carrasco. Eu pouco podia fazer. Mas os que estavam por cima estariam melhor sem mim, disso tive esperança.

Mais do que sentimentos, Brecht pede actuações. Quem é teu inimigo? pergunta, para logo responder, num jogo subtil e didáctico com o leitor:

O que tem fome e te rouba /o último pedaço de pão chama-lo teu inimigo. /Mas não saltas ao pescoço /do teu ladrão que nunca teve fome.

Assim, a ordem é abrir os olhos e agir para haver equilíbrio na luta contra a injustiça que age de olhos bem abertos:

A injustiça avança hoje a passo firme. /Os tiranos fazem planos para dez mil anos. /O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são. /Nenhuma voz além da dos que mandam. /E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas o meu começo. /Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem: /Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos. /Quem ainda está vivo nunca diga: nunca. /O que é seguro não é seguro. /As coisas não continuarão a ser como são. /Depois de falarem os dominantes /Falarão os dominados. /Quem pois ousa dizer: nunca?

Também a sátira brechtiana é desenrolada até ao cinismo, apesar do exílio do autor, quiçá por isso mesmo, e assume-se sem esconderijos para servir a pedagogia. Próprio de um homem de Teatro, a verosimilhança da mensagem - os comportamentos, situações, pessoas concretas - atinge certeira o leitor ou o espectador, no caso da dramaturgia, porque é a eles que se dirige e é deles que se fala. E os poemas ora olham acutilantes o poder político, ora detêm-se denunciadores na insanidade da guerra:

Todos os dias os ministros dizem ao povo /Como é difícil governar. Sem os ministros /O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. / Nem um pedaço de carvão sairia das minas /Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda /Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra /Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol /Sem a autorização do Führer? /Não é nada provável e se o fosse /Ele nasceria por certo fora do lugar(…)

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(…)De pé à sua volta à hora de morrer / – Nós todos. /E /Lá estava também a mulher que o dera à luz /E que não disse uma palavra quando o levámos. /Que essa mulher seja estripada! /Amem. /Mas quando o matámos tratámos /De transformar o seu rosto /com as marcas dos nossos punhos. /Assim o tornámos irreconhecível /para não o darem como filho de algum homem. /Fizemo-lo sair do aço. /Trouxemo-lo para a cidade. /Enterrámo-lo sob uma pedra e sob um arco chamado /Arco do Triunfo /que pesa 1.000 quintais para que /O soldado Desconhecido /Não se levante no dia do Juízo Final /E irreconhecível /Mas de novo e para sempre na luz /Não vá diante de Deus /Apontar-nos a nós, os reconhecíveis, /À Justiça.

© Teresa Sá Couto

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

«A Morte de Portugal»

Reflexão sobre nós, num Ensaio de Miguel Real

O livro A morte de Portugal de Miguel Real vai estar em debate na livraria Almedina do Arrábida Shopping, dias 10 e 31 de Outubro, com ambas as sessões às 17 horas e entrada gratuita.
O sentido de oportunidade do debate é, pois, irrepreensível. Recupero aqui o texto que elaborei na altura do lançamento do livro, em 2007.

A «”morte de Portugal” não significa que Portugal desapareça (Portugal “dura”, escrevia Eça de Queirós durante a crise do Ultimatum; é, aliás, a sua grande virtude, não dar felicidade ao seu povo, mas durar, sobreviver, existir por existir, criando contínuas mitologias que justifiquem a sua existência)», diz Miguel Real .A morte de Portugal residirá, então, no desaparecimento de toda a originalidade portuguesa substituída pela vertigem estrangeira por uma «ditadura tecnocrática» instituída por «técnicos medíocres» para quem só conta «primeiro, a contabilidade das estatísticas, e, segundo, o sentido europeu das estatísticas». Mais, acrescenta Miguel Real:

«em nome de um orçamento metafísico e de uma canina imitação do pior da Europa, terão sido eliminados por este os curtos direitos ganhos pelas populações desde o 25 de Abril de 1974 (ter escola na sua terra, ter maternidade na sua terra, ter assistência hospitalar na sua terra, ter dinheiro suficiente para ir ao dentista, ter reforma garantida). É um Portugal solto, desregrado, cheirando alarvemente a dinheiro, os ricos por o terem, os pobres por o desejarem, todos por nas “Índias” o espreitarem, isto é, na mirífica Europa.».

Este é um «ensaiozinho despretensioso e reflexivo de horas nocturnas», no dizer do próprio ensaísta, texto ágil, acutilante, intervencionista, predicados para um prazer incomensurável de leitura, dizemos nós. Em 123 páginas, com Introdução, três capítulos e um Índice Onomástico, Miguel Real consulta 800 anos de política, mentalidades, História da Cultura e História das Ideias para desembocar nas actuais páginas de jornais onde corre a narrativa sobre quem somos e em quem nos estamos a transformar. Sobre o resultado do comando do Estado por «títeres janotas que transfiguram a nobre arte da política numa cinzenta cadeia técnica de raciocínios casuais», «uma nova geração de engenheiros e economistas totalmente desprovida de espírito histórico», escreve o ensaísta:

«Portugal permanecerá, na sua posição relativa face aos países mais ricos da Europa, como se encontra desde o reinado de D. João III, na base da tabela», com um «povo pobre, analfabeto e supersticioso. (…) É o Portugal de D. João III (menos de 30 anos depois de D. João III tínhamos sido condenados à inexistência por Castela), o Portugal do “Nada para que caminhamos” de Marquesa de Alorna, um Portugal merecedor de um Gil Vicente, que infelizmente não o há. É a orgia báquica dos técnicos cinzentos e dos políticos janotas antes da grande derrocada, como aconteceu na segunda metade do século XVI e na passagem entre os séculos XVIII e XIX.». Invocando o nome grande das letras portuguesas que também designa o Dia de Portugal, escreve o ensaísta:

«Camões, de facto, merece ser o símbolo do povo português – homem azarado, poeta pobre, brigão, mulherengo, condenado pelo Estado, perseguido pela igreja, nunca terá frequentado a Universidade (“saber de experiência feito”), migrante do Império, ora aqui, ora acolá, a sua vida, como a de Fernão Mendes Pinto, reproduz a vida dos portugueses que nunca beijaram a sombra do Estado, adversa às elites reitoras do Poder.».

Os quatro complexos de Portugal

Desenhando os quatros pontos cardiais por que Portugal se tem movimentado na sua História, Miguel Real apresenta quatro complexos culturais. O primeiro, da ORIGEM EXEMPLAR, é o complexo viriatino, que «emerge na segunda metade do século XVI», radicado na imagem de Viriato, «herói impoluto, puro, virtuoso, soldado modelo, chefe guerreiro íntegro, homem simples, pastor humilde que se revolta contra a prepotência do ocupante estrangeiro» que só pela traição é derrotado.
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O segundo, o da NAÇÃO SUPERIOR, o complexo vieirinho, que irrompe depois de D. João III, Alcácer Quibir e a decadência do Império, com o Padre António Vieira a semear a esperança, anunciando-nos o Quinto Império «dourando-nos o futuro com o regresso anunciado às glórias do passado», e que «nos determina a desejarmos mais do que nos pedem as forças e nos exigem as circunstancias, pulsao social que orientou as caravelas portuguesas;»

O terceiro, da NAÇÃO INFERIOR, o complexo pombalino, radicado no ímpeto de Pombal, o da nação humilhada pelo seu atraso e sequiosa das luzes europeias, «hoje acefalamente política dominante do Estado português, que a segue como “bom aluno”.

Por fim, o do CANIBALISMO CULTURAL, o complexo canibalista, «que alimenta o desejo de cada pai de família portuguesa de se tornar súbdito do chefe ou do patrão, “familiar” do Tribunal da Inquisição, sicofanta da Intendência-Geral de Pina Manique, “informador” de qualquer uma das várias polícias políticas, carreirista do Estado, devoto acrítico da Igreja, histrião da claque de um clube de futebol, bisbilhoteiro do interior da casa dos vizinhos, denunciador ao supremo hierárquico», aludindo-se, na actualidade, à «perseguição a funcionários públicos rebeldes pelos poderes partidários instituídos pelo governo de José Sócrates/Cavaco Silva.».

«Se a vitória europeia de Portugal se consumar, terá sido a geração nascida entre 1940 e 1960 a matar D. Sebastião pela segunda vez», diz, sem que, no entanto, antes desafie:
«Resta aos homens de bem virarem as costas a esta nova elite tecnocrática que assaltou e se apoderou do Estado português (..) e, se puderem, emigrarem, clamando que aos homens-técnicos leva-os o Tejo e o Douro nas enxurradas de Inverno, os homens-cultos, esses, permanecem, recriando a nova imagem literária, estética e cultural por que Portugal posteriormente se reverá no espelho da História.».

A Morte de Portugal, Miguel Real; Editorial Campo das Letras, Porto, 2007

© Teresa Sá Couto

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

David Mourão-Ferreira ou a inscrição da memória

(texto publicado hoje no site Orgia Literária)


O tempo é reversível. Pela memória exuma-se um passado tido como perdido. Se a memória é acção, a palavra é a criação que lhe confere sentido: juntas executam o eterno retorno, transfiguram, legitimam o tempo branco, perpetuam-se e perpetuam o seu criador.
A memória é o tema irradiante da escrita de David Mourão-Ferreira (1927-1996), com fulgor máximo na Obra Poética editada entre nós pela Presença. Fulgor máximo porque, como defendia Calvino, uma obra não se explica por parcelas, mas sim na sua totalidade, e esta Antologia – que colige a poesia do autor de 1948 até 1988 – tem todas as parcelas da grande urdidura do esplendor.
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A memória persiste amolecendo-a: assim a representava Salvador Dalí nos relógios moles pendurados de ramos secos, numa alusão ao carácter maleável do tempo quando sobre ele age a criação artística. Na mesma esteira, David Mourão-Ferreira usa outra metáfora singular: a memória como mármore mole, a memória sustentada por dois excessos, «o da fixidez e o da diluição» – assim referido por Eduardo Prado Coelho que prefacia a Antologia –, o que permite ao poeta modular a sua enunciação, confirmado pelo próprio: «mármore, sim…mole porém, como a casca da árvore, como o vento no sono escutando…». Na mesma metáfora, é evidente a luta e a dor da criação:
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Luta de corpo a corpo no interior do corpo.
Monólogo do tempo no interior da alma.
Monólogo monótono com saltos inesperados!
Monólogo no mármore mais mole de que há memoria…
Mármore, e mar, e vento sobre o mar…
Memória!
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Poética da «Apoteose do Nada» – na demanda daquilo que na memória se pode e deixa construir, uma «matéria obscura que obstina para além da vida ou da morte» –, a obra poética de David Mourão-Ferreira tem, segundo Eduardo Prado Coelho, uma «estrutura de tríptico» – «és retina, és rotina, és renovo», enuncia o próprio David –, com os últimos livros organizados em «incursões nos ciclos anteriores». Comprova-se o carácter circular da memória com a própria criação poética configurada no Eterno Retorno:
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todo o dia senti,
bem funda, em mim,
a tortura do beijo que não demos:
lago sereno, preso num jardim,
saudoso dum nenhum sulcar de remos.
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Corpo, mármore fugidio

À procura «daquela ribeira que reabilita a pedra», ou a subjectividade artística capaz de recriar a memória, o Corpo surge como centro de todo o processo, donde partem todas as buscas, onde convergem todas as emoções, «corpo de mármore fugidio», «memória por onde desliza a sensualidade e o erotismo». Afinal, diz o poeta, «o mundo só é mundo enquanto houver o corpo», e o poema, também corpo, exprime o «Voto» que sintetiza o empenho de David:

Que o fosso da memória se transponha,
que seja a solidão atravessada!
Da cálida crisálida renasça
de novo o corpo o corpo todo!
Venham as roucas sílabas da posse
no búzio dos ouvidos enroladas!
sobre a teia das veias impalpáveis,
reconstrua-se a cúpula dos olhos!
Que tudo, tudo, súbito se emprenhe
da realidade que a lembrança apenas
em folha de álbum, ressequida, guarda!
Que eu vá de novo decorar-te a seiva,
como um poema líquido que seja
urgente recitar na eternidade.

Enfrentar a voragem do tempo, descobrir os ângulos pelos quais o tempo nos devora, desafiar-lhe os quatro cantos com o canto poético é a grande tarefa de David Mourão-Ferreira. Para isso, escuta o «grito dos ventos», «pólen transformado», e constrói uma poética musical ímpar: «Além de amor, o meu amor quer melodia», diz o texto ao mesmo tempo que define a memória do amor: «O amor é um vidro sob um diamante: pois tudo foi vibrante e foi cruel». Em «Epitáfio», pode ler-se:
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Cada sorriso teu agora só desperta
esse remorso vil que a minha vida tem:
– A tua alma estava à minha espera, aberta…
Repousei no teu corpo e não fui mais além.

Com os tempos conjugados – o da memória e o da recriação, «biliões de cordas um só nó» –, pergunta e responde, no «canto secular do pensamento»:
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as pedras são pedras ou são vento?
(E são ombros, são espadas, são gladíolos.)
Mas os cantos são meus ou são do tempo?

Responda-se que os cantos, estes cantos, são do tempo futuro pois é lá que em cada leitor se recriarão.
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© Teresa Sá Couto

Espaço Web de Camilo Pessanha

A Biblioteca Nacional (BN) fez ontem a apresentação pública do sítio Web de Camilo Pessanha. Representante do simbolismo português, o autor deu-nos, num só livro, Clepsidra, uma poética de símbolo, sugestão e música, construídas com ânsia, abulia e sentido de diluição, de inutilidade da vida.
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Fernando Pessoa considerou-o seu mestre; António Ferro disse, sobre Clepsidra: «a nossa geração tem um missal. Saiu o livro de Camilo Pessanha. A alma de todos nós, desnorteada, tem, enfim, um relógio». Com efeito, o título Clepsidra funciona como símbolo de uma poesia de símbolos: se no grego significa relógio de água, a terminação –idra remete para hidra, mitológico monstro marinho, serpente de inúmeras cabeças que nascem e se desenvolvem à medida que são cortadas, símbolo da impotência humana perante os obstáculos, manifesto sobre a fragilidade da condição humana.
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Que este novo sítio na Web seja, pois, um incentivo para se revisitar Camilo Pessanha, o «exilado da beleza».
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Um poema:
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Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
– Bom dia, companheiro – te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho.

É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei…
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia! … Foi no entanto

Que chorámos a dor de cada um…
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

in Clepsidra, p.38, Biblioteca Ulisseia, 1987

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Televisão do share e das elites

Publico este texto em resposta a inúmeros pedidos de sugestões de títulos que analisam o jornalismo em Portugal, e na sequência doutros que tenho aqui trazido.

Se atentarmos nos plateaux informativos das nossas três estações de televisão, verificamos que «não se descobrirá o retrato do país que somos. Antes se vê aí desenhado um mapa social que salienta as elites que a TV absorve e reforça.». Esta é a conclusão de Felisbela Lopes depois de rastrear doze anos de programas informativos (de 1993 até 2005), num Estudo agora editado no livro «A TV das Elites». De contributo imprescindível para o debate da televisão que temos, a obra investiga e interroga a informação televisiva não-diária – sobretudo, debates e entrevistas – na peugada da verdade que se revela de nós através do que se oculta; são quatro capítulos em 371 páginas, num exame completíssimo que nos avalia social e culturalmente

Com a chancela da Campo das Letras, o título pertence à Colecção Comunicação e Sociedade – uma colecção ímpar de abordagem crítica à Comunicação Social – dirigida por Moisés de Lemos Martins, do Centro de Estudos de Comunicação e da Universidade do Minho. A presente obra retoma parte da dissertação de doutoramento de Felisbela Lopes, colaboradora do jornal Público de 1990 a 1996.

A análise clara, objectiva, contextualizada, bem documentada e bem organizada por capítulos e alíneas norteadoras, são um apelo para a leitura não só por jornalistas, políticos ou investigadores, mas também por «todos os interessados na res pública, incluindo particularmente aqueles que frequentam as escolas secundárias e o ensino superior», como refere, no prefácio, Manuel Pinto, coordenador do projecto Mediascópio e director do CECS – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

Informação sacrificada pelo Share

Sendo certo que os dados audimétricos condicionam as opções de programação das televisões, um dos grandes objectivos de Felisbela Lopes é mostrar que as novas grelhas avançaram cada vez mais para o espaço privado sacrificando os programas informativos: se em 1993 – com coabitação das estações privadas no Panorama Audiovisual Português (PAP) – ainda se verificava um número razoável de programas de informação, a partir de 2000 «a informação semanal vai sendo desalojada do horário nobre dos canais privados para dar mais espaço ao entretenimento que hegemoniza os serões televisivos». A lei do mercado, e na guerra das audiências, enreda também o serviço público de televisão que passa a seguir os exemplos das privadas.

Concomitantemente, o espaço televisivo vai sendo tomado por elites, evidenciando-se, também a preferência que os jornalistas lhes dão. Como consequência, refere-se, em 2002 tinha-se um «espaço público pouco diversificado do ponto de vista temático» e com representatividade limitada, que nós reconhecemos por serem “sempre os mesmos a falar das mesmas coisas”. Defende-se que quem é desconhecido da opinião pública, ou não pertence a «instituições centrais onde se exerce o poder político» tem poucas possibilidades de aparecer no ecrã. «Consequentemente, construiu-se no espaço televisivo uma enorme espiral de silêncio que se foi avolumando ao longo dos anos.».

A par da explanação apurada, a autora apresenta quadros sintéticos da programação semanal nos diversos anos, perfil dos convidados, evolução das audiências, quadros comparativos de audiências, oferta e consumo de informação semanal de prime time (por meses, dias e horas), temas de maior sucesso, percentagens de políticos presentes nos programas de informação, entre outras vertentes em análise.

Informação ou espectáculo?

Refere a autora que, nos anos em Estudo, «o cidadão comum foi desvalorizado na informação semanal» das três estações de televisão. «Nesse período, poucos programas reclamaram a sua presença para os plateaux televisivos e, sempre que o fizeram, foi para o integrar em talk shows ou para lhe solicitar um testemunho pessoal sobre um tema que seria depois discutido por especialistas ou com actores das indústrias culturais». Na tentativa de o incorporar nas emissões surgiram os telefonemas, o televoto, cartas, SMS, «mas esses diferentes meios de acesso, para além de controlados pelos responsáveis dos programas, apenas permitiam uma participação marginal e, não raras vezes, pouco representativa da população portuguesa.». Acresce que, defende-se, aquela «participação à distância não equivale ao direito à palavra que os convidados dispõem nos plateaux dos debates televisivos», tanto mais que o cidadão comum está excluído das grandes-entrevistas.

Advoga-se que, nos doze anos, deparamo-nos com o crescimento de programas ditos informativos, um «terreno ambíguo entre informação (que não prestavam) e o entretenimento (que não era explícito, por se tratar de histórias reais e sofridas de pessoas concretas). (…) Os temas, embora pudessem ser integrados no espaço público, eram atravessados por vivências privadas apresentadas por um discurso emotivo ao serviço do espectáculo da palavra através do qual se exibia o ser humano degradante: crimes, escândalos sexuais, negócios de pornografia, etc. ser célebre, neste contexto, significava não ter direito a uma vida privada.». Por outro lado, defende-se, esta «espectacularização do discurso» é uma «forma ilusória de transformar a televisão num meio reparador de injustiças sociais», porquanto representam uma parte ínfima da população.

Refere a autora que este Estudo sobre a TV que temos não permite grandes optimismos. Todavia, apelando à intervenção de todos, lança-se um desafio, que fazemos também nosso: «não nos dêem a televisão que queremos, nós merecemos muito mais».


A TV das Elites, Felisberta Lopes; Campo das Letras, 2007


© Teresa Sá Couto

sábado, 19 de setembro de 2009

Sessenta anos de corrupção na ONU

Um livro demolidor de Eric Frattini

Digo-vos, infelizes, lixados pela vida, vencidos desolados, sempre empapados em suor, advirto-vos: quando os grandes deste mundo começam a amar-vos é porque vão converter-vos em carne para canhão. O aviso é de Louis-Ferdinand Céline, restaurado pelo polémico, inquiridor, denunciador e demolidor Eric Frattini. Autor de «A Santa Aliança – Cinco Séculos de Espionagem do Vaticano», o jornalista, investigador e escritor nascido em Lima, em 1963, assina mais este título abrasivo: ONU – História da Corrupção, onde descreve e documenta, sem constrangimentos, 60 anos de fraude, «corrupção, favores, assédio e abusos sexuais, pederastia, nepotismo, clientelismo, esbanjamento, burlas, torturas, subornos, má gestão e uma catastrófica administração» da Organização das Nações Unidas, tida como um «monstro que continua a engordar» exaurindo os ideais que lhe serviram e legitimaram a criação.

Em nota introdutória, datada de 2005, o autor diz que o livro não é um texto histórico sobre as Nações Unidas, mas um capítulo dentro da longa história daquela organização, feito com informação verídica, muita com recurso a documentos "classificados", fornecidos «por funcionários da ONU muito interessados em que se tornassem públicos». A exposição de Eric Frattini é acompanhada de fotografias, reprodução de documentos oficiais, uma extensa bibliografia, e listagem de Organismos e Meios de Comunicação consultados. O resultado é um ensaio que vai desde a raiz da ONU até aos ramos da actualidade.

Ao longo de doze capítulos, feitos degraus de descida aos subterrâneos iníquos do poder, o autor acompanha os mandatos dos sete Secretários-Gerais da organização para relatar como Trygve Lie, primeiro secretário-geral da ONU, cooperou abertamente com o Comité de Actividades Antiamericanas de McCarthy na sua "caça às bruxas" dentro da ONU; como Dag Hammarskjöld permitiu a entrada de agentes da CIA na sede da ONU e como ajudou essa entidade a manipular a política do Congo; como U Thant protegeu seis diplomatas árabes suspeitos de assassinar uma norte-americana numa orgia de sangue e sexo em troca de uma importante doação; como Kurt Waldheim ocultou o seu passado nazi e os seus anos de serviço no exército de Hitler; como Javier Pérez de Cuéllar protegeu e promoveu as influências pessoais e o esbanjamento entre altos funcionários da ONU; como Butros Butros-Gali protegeu altos funcionários da ONU – seus amigos pessoais – de graves acusações de assédio sexual sobre funcionárias da organização; ou como Kofi Annan fechou os olhos em relação aos maiores casos de genocídio no Ruanda e em Srebrenica e, por "omissão", face ao maior caso de corrupção de toda a história da ONU no programa "Petróleo por Alimentos", em que esteve envolvido o seu próprio filho, Kojo Annan».

Capacetes Azuis: abusos e impunidades

Partindo da asserção de um ex-funcionário da Onu – «Se um capacete azul chega à tua cidade ou aldeia e se oferece para te proteger, foge. Agarra numa arma. A tua vida vale muito menos do que a dele» –, Eric Frattini relembra múltiplos escândalos enredando os “capacetes azuis”. Diz-se que, se em 1988 estas forças da paz das Nações Unidas receberam o Prémio Nobel da Paz, a sua actuação posterior deixou para trás a imagem romântica dos soldados que alimentavam e protegiam as mulheres, os velhos e as crianças.

Referem-se abusos e exploração sexual de mulheres e raparigas no Camboja (1992-1993) ou na Libéria (1993-1997); torturas a prisioneiros na Somália (1992-1995) – «o jornal flamengo Het Laastse Nieuws publicou mesmo fotografias que mostravam um soldado da ONU a urinar sobre o cadáver de um somali»; violações de crianças no Congo (presença desde 1999) e em Moçambique (1992-1994); casos de pederastia na Serra Leoa (presença desde 1998) e no Kosovo (desde 1999); escândalos na Bósnia-Herzegovina (1995-2005) com a prática do mercado negro – tido como «fonte de rendimentos ilícitos para os soldados da ONU» com o qual «estavam a ficar bem ricos e a tornar ricas as máfias locais» –, também da prostituição juntando-se-lhe um rol de insanidades: «pelo menos trinta e dois “capacetes azuis” do Canadá feriram, torturaram e violaram doentes e enfermeiras de um hospital psiquiátrico na Bósnia»; abordam-se «casos de escravatura de mulheres somalis ou bósnias e abandono de civis desarmados às mãos dos seus agressores no Ruanda e Sbrenica», numa lista demasido vasta de condutas atrozes para que possamos ficar indiferentes.

Perante a bizarria e o anómalo, o texto refere que foi pedido por mais de 100 Estados-membros dos 191 que compõem a assembleia-geral da ONU que se rejeitasse a Resolução 1487 do Conselho de Segurança que impedia o Tribunal Internacional de julgar os “capacetes azuis”. Todavia, pode ler-se, «apesar das suas bem intencionadas palavras em que Annan afirmava que a resolução contrariava o espírito da Carta das Nações Unidas, o Conselho de Segurança renovou a 1422 e adoptou a Resolução 1487, como ampliação da anterior e com ela a “autorização de pirataria” para os milhares de “capacetes azuis” espalhados por todo o Mundo».

Um provérbio chinês aconselha: «Antes de iniciar a tarefa de mudar o Mundo, dá três voltas pela tua própria casa». Sendo o Mundo a casa larga de todos, é o dever de cada um participar na arrumação. Não o fazer é deixar a tarefa concentrada só nalguns e legitimar-lhe o poder sobre esse bem que deve ser comum. Este livro mostra-nos o preço e o perigo do comodismo de uma metade da humanidade perante a outra metade.

ONU – História da Corrupção, Eric Frattini, Editorial Campo das Letras, Porto, Setembro de 2006


© Teresa Sá Couto

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

«cem mil cigarros - Os Filmes de Pedro Costa».

«cem mil cigarros – OS FILMES DE PEDRO COSTA» é o próximo lançamento das edições Orfeu Negro. Coordenada por Ricardo Matos Cabo, a monografia tem mais de 300 páginas com textos de 28 críticos, ensaístas, realizadores e artistas de todo o mundo. O lançamento está marcado para 22 de Setembro, terça-feira, na Cinemateca Portuguesa, às 19h30.
Serão também apresentados os lançamentos da Midas Filmes da edição em DVD do primeiro filme de Pedro Costa, O SANGUE, a partir de um novo master digital de alta definição 2K, com restauro digital de imagem e som, e da reedição em DVD de ONDE JAZ O TEU SORRISO? Às 21h30, segue-se uma sessão de O SANGUE na sala Dr. Félix Ribeiro, com a presença do realizador.

O filme será objecto de uma reposição em cópia nova, no dia 24 de Setembro, em exclusivo no cinema UCI El Corte Inglés, em Lisboa, vinte anos depois da sua estreia mundial em Veneza.

As edições em DVD dos dois filmes são edições de coleccionador com várias horas de complementos e estarão à venda a partir do dia 1 de Outubro. O DVD de O SANGUE tem como extras: “Sangue antigo e sangue novo por João Bénard da Costa”, “Órfãos um comentário de Phillipe Azoury”, “Jeanne Balibar canta duas canções um filme de Pedro Costa”, “13 Fotografias de Paulo Nozolino”, “Fotografias de rodagem”, “Filmografia de Pedro Costa”, “Trailers” e “Capítulos”. ONDE JAZ O TEU SORRISO? tem como extras “Danièle Huillet, Jean Marie Straub, Cineastas – filme da colecção cinema de notre temps”, “6 Bagatelas – seis cenas inéditas montadas especialmente para esta edição”, “O Viandante e O Amolador – duas curtas-metragens inéditas de Danièle Huillet e Jean Marie Straub”, “Filmografias Pedro Costa, Danièle Huillet e Jean Marie Straub”.

Em Novembro, a Midas Filmes estreará ainda NE CHANGE RIEN, o último filme do realizador, antestreado na Quinzena dos Realizadores em Cannes. A estreia do filme contará com a presença da actriz Jeanne Balibar.

NE CHANGE RIEN foi também já apresentado na Filmoteca de Madrid, onde foi exibida uma retrospectiva completa do realizador, no Festival de Marselha, na Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, e seguem-se apresentações em mais de vinte festivais em todo o mundo, entre os quais o Festival de Nova Iorque e a Tate Modern em Londres, onde em Setembro e Outubro será apresentada uma retrospectiva completa da obra de Costa e uma selecção de filmes que o inspiraram enquanto realizador.
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(conforme nota da Orfeu Negro)